O Eterno Agora

•19 19UTC Novembro 19UTC 2009 • 1 Comentário

Eu pensei que poderia entender
Que tudo seria perfeito
E que pudesse viver sem isso tudo
E que eu realmente poderia ter negado
Se você não fosse muito melhor
Que o melhor que eu tinha imaginado

E aqui estou eu
Trago no peito todas as amarras
Toda a esperança de te ouvir dizer
Que hoje não haverá amanhecer
Que o grito de nossos corpos prevaleceu
Que o futuro, mais uma vez, nos surpreendeu

Eu achei que nada fosse mudar
Que não estava enganado
Quando achei que estava longe demais disso tudo
E realmente seria mais simples
Se você não me sorrisse assim
Se os seus olhos não me trouxessem
Pra tão fundo, dentro de mim

E aqui estou eu
Trago no rosto improváveis sorrisos
Trago nos sonhos o meu paraíso
Lá, onde não haja amanhecer
Onde não haja o que temer
Onde o sonho aconteceu
Onde o futuro, mais uma vez, nos surpreendeu

Mar de verdades

•4 04UTC Novembro 04UTC 2009 • Deixe um comentário

Ela olhou para seu filho
Seus olhos cairam em um sopro do cansaço
Não sabia para onde ia
Mas já sentia o vazio em seus abraços

E o irmão já não aguentava mais
Abriu a geladeira e implorou por um pouco de paz

E o filho que há muito estava adormecido
Acordou e abriu os olhos
Mas fechou os ouvidos
Olhava para o pai e sua mente sã
Se obrigava a traçar mentalmente
Os caminhos que fariam o amanhã
Viu a coragem tremer
Se preveniu e fechou logo a janela
E procurou sem encontrar
A razão de toda a sua espera

Enquanto isso, o pai fechou o rosto
Quando olhou pra trás
Todos aqueles planos já não valiam mais
O seu coração batia, mesmo sem porque
Resolveu esquecer do assunto
Ao se juntar com a mãe à frente da TV

O irmão verificou sua poupança
Pagou todos os juros entediado demais
Para pensar sobre o motivo da cobrança
Girou a chave e pode, enfim, matar a sede
Quando tomou um copo daquela doce lembrança

E o filho que há muito havia vencido
Tanto que nem percebeu
Que já havia esquecido
Puxou, fechou os olhos e sentiu
Mais uma vez a sensação
De leveza da paz e então, sorriu
Sentiu o aperto das algemas
Em seu vôo de liberdade
E inventou até poder se esbaldar
Ao mergulhar, no seu mar de verdades

Seus olhos

•31 31UTC Outubro 31UTC 2009 • Deixe um comentário

Eu acordei com o seu beijo
Ela tinha a imensidão em seus olhos
Segurou minha mão e me fez sorrir
E o passado me trouxe em seu colo

E me disse pra eu não me perder
Porque eu não tinha para onde correr

E me levou à uma sala de vidro
E esperou até que eu acabasse com o meu inimigo
Ela me abraçou e me fez achar
O meu velho e só meu abrigo

E me disse: Não vá se assustar
Quando o futuro vier te sondar

Desenhou o mundo no meu coração
E me acalmou com essa canção
Com outro beijo eu adormeci
Ela tinha a imensidão em seus olhos… Meus olhos.

O Daniel

•14 14UTC Outubro 14UTC 2009 • Deixe um comentário

Alguma coisa aconteceu ao Daniel
O cara trocou o sorriso pela indiferença
Parou o mundo e fez da sorte uma sentença
Saltou de pára-quedas esperando encontrar o céu

Alguma coisa aconteceu ao Daniel
Parou e viu a vida como todo mundo
Refletiu, aprendeu e ficou burro
As palavras sempre encaixadas agora estão ao léu

Quando é que tu vai desabafar, Daniel?
Fechou a janela e nada mais fazia do que olhar através
Acabou fazendo planos bem longe dos pés
Fez uma linda pintura, mesmo sem pincel

Mas o que diabos aconteceu, Daniel?
Em nome de tudo o que era santo
Ele abriu mão do sagrado
Esperou sumir do mundo se cobrindo com um véu

Mas não fique assim, Daniel!
A gente já sabe de você, meu rapaz
E é bom às vezes dar uma olhadinha lá pra trás
Pra perceber que não foi tudo, o que passou
Levante esse nariz! É o que você sempre diz!
Dê um beijo no mundo
E encha esse fundo, fundo coração.

Imperfeições

•8 08UTC Outubro 08UTC 2009 • Deixe um comentário

Eu gosto de escrever sem compromisso literário.
Assim as palavras costumam ficar em seu devido lugar (se não ficar também, ninguém vai saber) e eu nem tenho que me preocupar em mudá-las e transformá-las em rimas.
Nada precisa casar com nada. Tudo fica mais exposto, mais compreensível, mais leve de ser lido. E escrito também, lógico.
Mas do nada, acaba de me vir a impressão de que ultimamente alguns problemas com a palavra ‘exposição’ surgiram… Será que acontece com todo mundo?
Agora eu não sei se o meu exílio apenas me tirou o jeito com as pessoas, ou me fez esquecer tudo sobre elas. Sabe quando você se tranca em si mesmo e espera que o mundo lhe traga tudo? Não é preciso fazer mais do que reclamar e pensar que tudo vai dar certo, jamais! Quem disse uma asneira dessas?
Você sabe o que é isso? Bem, tem muita gente que não sabe. Mas são poucos os que não se sentem assim.
E a sensação de ter uma bússola sem norte à sua frente? Bem, o jeito é acreditar no que… Sei lá quem disse: ‘Pra quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve’. Nem sei se é isso mesmo, mas acho que faz sentido. Ou talvez não, mas nem tô afim de parar pra pensar nisso agora.
Não sabia dessas coisas que a gente tem, como essa espécie de “auto-antropofagia”. Quando vi, senti a importância que há em saber controlar nossa máquina de encontrar defeitos. Tudo bem que é através disso que definimos o que é bom ou ruim. Porém, há um forte lado negativo: Na solidão você não tem muitas opções de busca… Não é?
E outro problema é que, como se não bastasse, é um ciclo vicioso. Você encontra um defeito e… Não sei explicar, acho que por ser totalmente estúpido, mas… Você parece que gosta, acha legal… E quer logo encontrar outro, que nos leva a outro, numa grande bola de neve.
É tudo uma grande armadilha! O mundo é injusto demais, mimimiiiii!
No fim, tudo, exatamente tudo o que você faz é mal feito. Ninguém vai com a sua cara e você é um completo otário. E, ‘ai’ de você se não acreditar!
Enfim, depois de passar a conhecer e fortalecer tudo o que tem de fraco, você decide olhar à sua volta. E o que há de acontecer? Descobrimos (ou não, o que é pior) que somos somente as primeiras vítimas desse mecanismo de avaliação. E logo, nada é bom, nada é bem feito, ninguém é confiável e o mundo, a vida… Tudo é uma grande merda.

É engraçado como as coisas funcionam e se encaixam, né?

Próprios mundos

•7 07UTC Outubro 07UTC 2009 • Deixe um comentário

Não sei ao certo onde aterrisar
Todos são tão atrativos pra mim
E tudo pulsa, brilha como seu eu pudesse tocar
Alcançar e fixar meus pés no chão, enfim

Parado. Esperando alguém
Alguém que apontasse uma direção
Ou despertasse um tipo de sonho insano
Flutuo sozinho em um alçapão

Sei bem do meu combinado
Sei bem de tudo o que fiz
Mas… Talvez (Só agora!) não seja tão simples assim
E me pego a esquivar de tiros de festim

E vêm o espanto com a imagem do orgulho
Rebaixando estranhamente o chão
E agora? Como haveria impulsão paro o pulo?
Para escalar o muro e finalmente ter outra visão

Seguro a fé em todos os minutos
Mesmo na possibilidade de um engano
Criada sempre por meus sensos fajutos
Criados sempre por meu auto-abandono

Parado. Impedindo alguém
Alguém que apontasse uma direção
Os olhos caem e a porta fecha
E emerge novamente
A eterna busca pelo perdão

A batalha 0988

•6 06UTC Outubro 06UTC 2009 • Deixe um comentário

É a vida que tarda ou o riso que some
Caviar jogado fora por quem passa fome

É o mundo que cresce ou o amargo que desce
E tudo some tanto quanto resplandece

É o amor que revive ou a sombra que escurece
Mas de qualquer maneira é algo que não se esquece

É o cara que sonha ou a porta que obedece
E o coração é calado pela força de uma prece

É aquilo que eu posso ou o que eu pudesse
O coração vinha no bolso se coubesse

É o espinho que crava ou a raiva que aparece
Bom é o que cresce na indecisão desse estresse

PORQUE?

•23 23UTC Setembro 23UTC 2009 • Deixe um comentário

Eu penso. Penso mais um pouco. Bem, daí eu paro pra pensar:
PELO AMOR DE DEUS!
Alguém pode me explicar o porque de tantos passeios em círculo?
O porque de tantas teorias que supostamente merecem a minha atenção, ou de tantos caminhos que eu devo seguir. O porque de tantas pessoas terem tantos conselhos ideais que eu devo acatar.
Às vezes eu canso e simplesmente acordo, não sei, talvez aconteça com todo mundo. Ou talvez não.
Aliás, qual o porque de tantos temperamentos intoleráveis que se tem que aguentar? Porque algumas pessoas simplesmente não se fazem entender?
E, eu suplico que alguém me responda: Porque eu estou entre elas?
Porque tanta individualidade no coletivismo? Porque tanta burrice nas cabeças mais modernas? PORQUE?
Me diz: Porque a adaptação ao gosto alheio na vida de uma alma livre?
Porque eu não posso simplesmente partir? E qual é o porque de tantas promessas que nunca serão cumpridas? E o porque da nossa sangria por elas, por mais que saibamos do futuro desapontamento?
ME RESPONDA! Sobre o porque de tanta espera, tanta discordancia, tanta concordancia maquiada, também; De tantas lixeiras para a vida, de tantas dúvidas, tantas religiões corretas, tantos Deuses soberanos, tanta coisa pra fazer e vida pra depois, tantos sorrisos amarelados e amores acizentados. Tantas notas desafinadas, tanta rigidez na liberdade, tantas portas fechadas e televisores ligados; Tanta opção, tanto luxo. tanto sofrimento e tantos fluxos.
Será que alguém pode me explicar: Porque diabos eu vim parar aqui?

O in, explicável.

•21 21UTC Setembro 21UTC 2009 • Deixe um comentário

Por muito tempo, ela se perguntava sobre o porque de não conseguir mais encontrar respostas. Onde foi parar seu tão precioso dom de explicar?
Culpou a fase, culpou a idade, culpou familiares, a bebida, as loucuras, as noitadas… Mas como poderia culpar alguém sem senso algum de avaliação?
Não, aquela não era uma resposta com a qual ela poderia se deliciar.
Chegou a um ponto em que simplesmente parou de se importar e aceitou a perca dessa virtude. Mas de alguma forma, isso poderia ser reconhecido como tal?
Sorriu, se libertou do peso da responsabilidade que impunha em si mesma, bebeu, sonhou, amou sua família novamente, olhou para si mesma novamente, reconheceu e aceitou suas amizades, virou a madrugada, se encheu da simpatia e sabedoria dos velhinhos que encontrara pela rua enquanto voltava pra casa de manhã. Eles já haviam passado da idade em que pensavam entender. Abraçou a vida, a sentiu novamente saltitando dentro de si.
E quando alimentou sua alma, a vida lhe retribui lhe mostrando que a culpada pela sua perca era quem nunca antes havia considerado: Ela mesma. Colocou a cabeça no travesseiro, e como se em uma moldura, observou que a capacidade de argumentação se perde, quando nos abraçamos cegamente a causas simplesmente inargumentáveis.

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Deus = Tempo.
WHAT? Me ajudem, quero saber o que significa.

.little

•18 18UTC Setembro 18UTC 2009 • Deixe um comentário

Eu acordo todo dia pensando nos meus desejos, na minha luta, nas minhas dores e nas minhas angústias.
Eu vou para a cama todo dia pensando em como seria bom se eu tivesse a capacidade de me esquecer.

Você é capaz disso?

Todo dia, o que eu quero é alguém que faça com que eu me esqueça;

UAHUHAUAH Vai entender, né?